Falando sobre paternidade!

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Ilustração: Flávio Shigueo

Falando sobre paternidade – Douglas Rodrigues

Ganhar cinco dias de folga após o nascimento, de acordo com a Constituição de 1988, que agora são vinte com a Lei da Primeira Infância, e ter mais um dia especial no ano, onde receber presentes torna-se uma agradável convenção social, anima qualquer um, não é mesmo? Tornar-se pai é uma verdadeira maravilha!

Agora vamos falar sério. Se fôssemos apresentar as alternativas citadas, ao lado de trocar fraldas a qualquer momento, principalmente quando estivermos comendo ou na hora do jogo, engatinhar pela casa às duas da manhã, apenas brincando, precisando acordar cedo no dia seguinte, sentar no sofá ao fim do dia ou aos fins de semana querendo relaxar e descansar e não poder sem antes dar uma volta pela cidade de bicicleta na esperança de que isso seja suficiente para fazê-lo dormir, e ao retornar, percebermos que mais algumas horas carregando peso pela casa, já com os braços doendo, serão necessárias para enfim gastar toda a bateria da criança, tenho certeza que a maioria ponderaria tal decisão. Acho já deu para entender, não é? Mesmo que tudo citado, seja apenas uma pequena parte das tarefas que caem sobre nós quando nos tornamos pais.

Quase a totalidade das mulheres possui o sonho de se tornarem mães um dia, existe até um fator genético que influência em tal desejo, popularmente conhecido como o famoso Relógio Biológico, por isso se as deixarmos a par de todos os futuros afazeres que a criação de um filho acarreta, grande parte abraçará este sonho e começará uma nova etapa em suas vidas, onde a doação passará a ter um papel de destaque. Todavia se fizermos o mesmo com os homens, grande parte também irá aceitar, principalmente, ou até exclusivamente, se tiverem uma mulher ao seu lado que assuma essa tal de doação. Isto não me parece certo.

O fato de o homem não participar ativamente da criação dos filhos pode ser uma questão cultural, pois quando falo de participação ativa, me refiro não só a brincar ou passear com a criança ao fim do dia, não! Refiro-me a trocar fraldas e sujar as mãos de cocô várias vezes porque eles nunca ficam quietos, preparar e dar a comida, fazer dormir, vigiar a noite quando estiver doente, dar banho, decorar um número enorme de músicas infantis, ajudar na escola… resumindo, fazer tudo o que a questão cultural impôs as mães por muito tempo, mas agora chega, é tempo de mudar, afinal nem
todos os aspectos culturais são bons, portanto precisam ser derrubados.

Que cada caso é um caso, todos sabemos, por isso alguns pais terão de se esforçar mais para cuidar de seus filhos do que outros, no entanto sabemos também, e não tenha dúvidas disso, que sempre podemos nos doar mais, por mais que estejamos cansados, sem grana ou tempo, sempre podemos fazer mais pelos pequenos seres humanos que trouxemos para este mundo. E, falando em mundo, surge até aquela preocupação extra com o futuro, quando o filhote sai debaixo das asas e alça voos, sozinho por aí, ainda não cheguei lá, mas só de pensar já fico mesmo preocupado, afinal os inúmeros perigos aos quais eles ficam expostos são perturbadores. Mas o que podemos fazer, não é? O que podemos fazer? Muita coisa! Não só podemos como temos o dever de fazer, precisamos prepará-los para o mundo, para o futuro, até porque eles são o futuro e a única esperança de um mundo melhor. Percebeu o tamanho da nossa responsabilidade? Não podemos deixar que as mulheres carreguem esse fardo sozinhas, não que elas não deem conta, algumas mulheres conseguiram e estão conseguindo, muito bem aliás, no entanto é demasiadamente pesado e elas precisam, ou melhor, merecem um descanso, e nós, homens, pais, ao tomarmos parte do nosso papel na criação dos nossos filhos, descobriremos a cada dia a enorme satisfação que é, de fato, viver a paternidade.

 

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Douglas Rodrigues é autor do livro “Mamãe, cadê o papai?”

Para conhecer melhor o seu trabalho entre em contato com ele!

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3 comments on “Falando sobre paternidade!”

  1. Flávio sk Responder

    O autor tem razão, mas temos que concordar que ter filho nos dias de hoje, não é ,ainda, um projeto arquitetado nos seus mínimos detalhes. Tem aqueles que desejam, mas não fazem idéia do que seja ser pai e tem aqueles que não desejavam e de repente acontece, esses nem ouviram falar em plenejamento.

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